
“Nosso trabalho é para vocês”, afirmou o mediador, Hugo Cabral, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que conduziu os jovens do Protejo da Estrutural para conhecer a exposição, “Abelardo da Hora 60 Anos de Arte – Amor e Solidariedade”. O programa educativo do CCBB se encaixa dentro da perspectiva socioeducativa a que o Protejo se integra, por isso a importância de visitar locais como este. Cada adolescente ao chegar à exposição, recebeu um livreto com informações sobre a mostra. Durante dois dias as unidades puderam ver as mais de 130 obras do artista plástico, Abelardo da Hora, que hoje tem 84 anos, mas fez sua primeira exposição aos 24.
Por cerca de uma hora os adolescentes visitaram esculturas, gravuras, desenhos, poesias e cerâmicas do artista. “Ele é um dos poucos expressionistas de vulto em plena atividade no Brasil. As obras e esculturas não são feitas em pequenos tamanhos, elas são feitas em tamanhos naturais, por isso tudo é muito grandioso”, contou o mediador. A exposição foi dividida em duas partes, a primeira na área externa do Centro Cultural e a segunda na área interna. De acordo com Hugo, os três momentos que podem caracterizar a exibição são: ideologia das formas femininas, desenhos e monumentos sobre cultura popular e denúncia social. As 13 esculturas que ficaram localizadas no ambiente externo mostraram basicamente as formas femininas. São todas feitas em bronze ou cimento polido. Uma das esculturas encontradas no jardim do Centro Cultural, a chamada “Mulher Branco”, fica na própria casa do artista plástico, em Recife. Já na parte interna, acontecem os dois outros momentos em que a exposição foi dividida, através de quadros, monumentos e esculturas que caracterizam a cultura popular e a denúncia social. A obra mais recente do artista foi fabricada neste ano de 2009, também feita de cimento polido, chama-se Aurora I. “Estou achando muito bom estar aqui hoje. Fugir um pouco da rotina e diversificar é sempre importante”, disse Gisele Soares da Rocha, de 15 anos.
As esculturas da parte de fora do local puderam ser tocadas e fotografadas, as da parte interna os adolescentes puderam apenas fotografar, pois não era permitido o toque nas obras de arte. “Abelardo gosta de fabricar obras referentes às coisas de sua terra, do povo nordestino e das belezas culturais e naturais da região”, ressaltou Hugo. O mediador contou ainda, que durante a ditadura militar o artista plástico foi preso 72 vezes. “A mostra oferece ao público a oportunidade de conhecer de perto as várias faces do artista, suas temáticas e preocupações como criador e como cidadão”, completou o condutor. O Protejo foi a primeira turma a visitar a exposição, os jovens fizeram muitas perguntas e debateram o assunto ao longo do passeio. Hugo Cabral agradeceu a visitação das turmas e mostrou o quanto é importante para os jovens conhecer um pouco mais das obras de renomados artistas brasileiros.